UF’T’MG: Uma fabrica de transtornados

UFMG revela que 13% da sua comunidade se afastam por transtornos mentais.Evasão por tristeza, stress, solidão, pressão, pânico, depressão e decepção, a UFMG passou a ser o oposto de acolhedor. 

 

Estudo feito pelo Departamento de Atenção à Saúde do Trabalhador (Dast) da UFMG, entre 2011 e 2015, revela que 13% da comunidade acadêmica, entre alunos e servidores, se afastaram da instituição por transtornos mentais.

Um aluno que não quis ser identificado disse que na adolescência sonhava em cursar comunicação social na UFMG, ele alcançou o sonho aos 25 anos, em 2011, mas em um mês de estudo, a satisfação deu lugar a uma profunda tristeza. “Em minha primeira semana já me senti deslocado. Acabei trancando a matrícula”, contou o jornalista, 30.

A Comissão de Saúde Mental da UFMG (Cisme) foi quem pediu a realização da pesquisa. Pois diante do alto percentual revelado a universidade irá criar diretrizes para combater a evasão por conta do sofrimento mental.

Segundo o estudo, entre 2011 e 2015, 1.781 servidores receberam diagnóstico de transtornos psicológicos no período, quando foram feitos 2.357 afastamentos por problemas psíquicos. No caso dos alunos, foram 440 diagnosticados. No caso do aluno entrevistado, ele retornou à universidade em 2012, após tratamento, atualmente ele exerce a profissão.

Na avaliação da diretora do Dast, Regina Barbosa “o número de doentes relatado é apenas uma parcela da população da UFMG, a que recebeu atendimento. A pessoa nesse quadro paga um preço muito alto. Esse sofrimento precisa de uma atenção especial, sobretudo da universidade”.

Dentre os distúrbios encontrados são mais comuns a depressão, síndrome do pânico, ansiedade e distúrbios do humor.

De acordo com Laura Camey, representante do coletivo Loucura Livre da UFMG, que atua na luta antimanicomial e no acolhimento dos estudantes com sofrimento mental. “O ambiente da faculdade é extremamente adoecedor, ele gera exclusão e estresse”, lamentou Camey.

A psicanalista e professora da PUC Minas, Aline Mendes, afirma que admitir que existe um problema é o primeiro passo para a recuperação de um paciente com distúrbios psíquicos. “Quando o mal-estar impede que a pessoa se relacione, seja no trabalho ou na vida social, está na hora de procurar ajuda. É importante investir em algo que ela goste”, afirma Mendes.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, entre 10% e 13% da população mundial – 700 milhões de pessoas – têm transtornos mentais.


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