Rios de Minas: esgotos a céu aberto

Somos da Ineficiência S.A, devia ser o slogan da COPASA, para a área de esgoto.Para a de água,  o de “a Falta de Águas de Minas”  define bem.

Tratamento de Esgoto que oscila entre  de má qualidade  e inexistente é  talvez o maior entrave para a limpeza de rios em BH e despoluição da bacia do Rio das Velhas.

Com as verbas destinadas aos programas de recuperação das bacias, programas como Manuelzão e outros congeneres, estão praticamente paralisados.

 A poluição e a degradação são constantes nos mais de 654 km de cursos d’água que cortam   ou percorrem o território da capital mineira e adjacencias.Isto aplica-se tanto riachos que mesmo poluídos ainda correm livres, como nos que já foram cobertos pelo asfalto, o maior erro cometido pelo saneamento de Minas e do Brasil -TAPAR CORREGOS: Ex Arrudas-

Os ambientalistas mais modernos são unanimes , ao dizer que para salvar os rios, o esgoto deve ser coletado em sua totalidade e levado para estações de tratamento. Como isto, a esta altura do campeonato e 50 anos após o PLANASA, é sabidamente quase impossível “in totum” por problemas de custos, a idéia fica mais para inviável. Já os ambientalistas e técnicos mais tradicionalistas   (talvez mais evoluídos), atestam como o peso da experiencia, dizendo que a coleta via redes de esgoto e tratamento em grandes ETES, devido ao seu altíssimo custo para serem eficazes,  só devem ser feitos em locais onde a aglomeração humana impede que o tratamento via unidade residencial por fossa séptica seja feito.Nos outros casos a grande invenção chamada fossa séptica**, tanto  o tradicional sumidouro como a tripla-  biológica- ,  além de serem extremamente mais baratas, tanto no construir quanto no processo de depuração biológica, trabalham nos mais altos níveis de filtragem, devolvendo ao solo apenas a água quase pura.Assim, devolvendo ao ambiente em qualquer destes níveis de depuração das fossas, deste ponto em diante , a natureza se encarrega com facilidade do resto. Disgrátis.

Alguns ambientalistas esquerdistas e defensores do estado mamãe e tutor, dizem que uma das coisas que interfere nesse processo é o fato de o esgotamento sanitário ser feito por empresa de hoje capital misto, como é o caso da COPASA ( 50% privado –Andrade-Gutierrez + 50% Estado de Minas),  que tem acionistas e lucro. Eles entendem que o lucro de atividades como saneamento, é contra a democratização do interesse maior na saúde publica.Embora não expliquem porque a COPASA ( E TODAS AS CIAS DE SANEAMENTO DO BRASIL) que foi puramente estatal por mais de 40 anos, não conseguiu fazer quase nenhum saneamento no estado( esgoto)  e nem bem feito  nas grandes aglomerações. Pior, nem ao menos universalizar e GARANTIR o abastecimento de água nas cidades onde opera. Afinal de contas, não há melhor indicador da incompetência do estatal que este fato.E somado a isto, nestes 40 anos, quase 15 com o PT no comando do pais.

A acusação é que “ as cias privadas, elas preferem coletar esgoto dos grandes centros porque dá mais lucro. Mas abandonam os povoados, distritos e regiões periféricas”.

Por outro lado, omissa como sempre, a atual gestão da Prefeitura de Belo Horizonte, diz que existem ações municipais que visam a recuperação dessas águas(?????). Porém, de acordo com o Plano Diretor de Recursos Hídricos da Bacia do Rio das Velhas, o tratamento secundário ( tratamento incompleto que é o que é feito hoje pela COPASA) é insuficiente para dar qualidade à água. A falta de um tratamento terciário dos esgotos faz com que a água não atinja as metas estipuladas de qualidade. Dentro das regiões com piores índices, estão as regiões das estações nos ribeirões do Onça e Arrudas.

Além disto, com uma legislação insuficiente, tem-se o problema da grande concentração de indústrias na região metropolitana, que não são as responsáveis por cuidar do seus resíduos e efluentes, a maioria de química complexa . Elas pagam esgoto como qualquer residência e poluem milhares de vezes mais. Isto  é outro fator relevante para a má qualidade das águas na região.

A Copasa, tentando defender sua incapacidade,  informa que grande parte do esgoto coletado na região metropolitana tem os tratamentos primário e secundário ( e diz que eles atendem plenamente as legislações brasileira e estadual ( ambas feitas,criadas e aprovadas no acochambrado de interesses das Cias estatais de Saneamento) , que estabeleceram a qualidade para lançamento de efluentes em cursos d’água. O percentual de esgoto coletado na capital, hoje, é 97,2%, e o bem mal tratado – só parcialmente como na ETE COPASA DO ARRUDAS- é  de 85,6%.

Provado e comprovado falido, o sistema de  saneamento sob tutela dos estados, em vários locais do mundo, foi abolido. Este modelo de saneamento estatal comprovadamente ineficiente e ineficaz,  tem sido abandonado sistematicamente em todo o primeiro mundo. E em substituiçõa, esta sendo feita a remunicipalização de serviços de tratamento de água e esgoto, mesmo que executado por cias privadas, que é a nova tendência mundial.

Nos últimos 15 anos, foram 180 casos em 35 países, onde todos tiveram problemas na gestão da água e do esgoto, seja pela falta de investimentos em infraestrutura e ambiental, seja pelo aumento abusivo de tarifas e danos ambientais, feitos tanto por governos centrais como por empresas privadas.

Muito “ cases” que ficaram famosos aconteceram em grandes cidades, como Berlim e Paris. Na capital francesa, após a remunicipalização, o novo sistemática de operação poupou € 35 milhões e permitiu que as tarifas fossem reduzidas em 8%.

Existem inúmeros casos pelo mundo.Se o mundo conseguiu, porque nos mineiros não podemos? Veja os exemplos abaixo:

 

 

 

Exemplar foi o caso da Coreia do Sul. O rio Ham, que corta SEUL, a capital da Coreia do Sul, era poluído e impróprio para várias atividades. Há cerca de dez anos – década de 90, o país iniciou um projeto de revitalização e com a instalação de várias estações de tratamento de esgoto de alta performance, tem hoje as águas límpidas.

 

 

 

Ambientalmente foram feitos varioss parques em suas margens e, atualmente, essas estruturas e o curso d’água podem ser usados normalmente.

 

 

 

 

O caso do rio Reno é outro exemplo.Desde após a segunda guerra, ele era altamente poluído. Em 1987, foi elaborado o Programa de Ação internacional para o Reno, que corta diversos países da Europa Ocidental, como França, Alemanha e Suíça, ele era uma rio tomado pela poluição química.

 

Capitaneados pelo Alemanha e associados, conseguiram o fim do despejo de dejetos das indústrias e outros tipos de esgotos e poluição.Finalmente, o Reno conseguiu se recuperar, e a fauna voltou para o rio, inclusive salmões e trutas. Custou caro mas foi feito.

 

 

 

 

O maior exemplo vem da Inglaterra com o rio Tâmisa. Registros mostram que desde 1610, a água não era considerada potável, porque o esgoto londrino era simplesmente

despejado no rio e isto foi feito por varios séculos. Em 1869, foi construída a primeira usina de filtragem, para diminuir o problema com o esgoto. No início, a medida funcionou, mas a despoluição que durou quase cem anos, com o advento da revolução industrial e com o alto crescimento urbano, tornou o rio poluído novamente.Após a segunda guerra, mais intensamente a partir da década de 1960, novo esforço levou a total despoluição como esta hoje. Sua recuperação foi espantosa, a ponto de ser possível pescar na ponte de Londres.

Sua despoluição durou mais de um século…. Então, o governo construiu diversas estações de tratamento, entre 1964 e 1974, o que resultou hoje em sua total recuperação.


Nenhum banner cadastrado ainda

WP-Backgrounds Lite by InoPlugs Web Design and Juwelier Schönmann 1010 Wien