ONU critica Brasil, Vale e BHP

A critica foi direta ao Brasil, a Vale e a BHP por darem uma resposta ‘inaceitável’ ao desastre de Mariana

Em comunicado duro segundo a linguagem diplomática, a Organização das Nações Unidas criticou duramente o governo brasileiro, a Vale e a mineradora anglo-australiana BHP , pelo que chamou de – uma resposta “inaceitável” à tragédia de Mariana-.

No comunicado divulgado ontem quarta-feira, e que traz o pito  do relator especial para assuntos de Direitos Humanos e Meio Ambiente, John Knox, aliado ao relator para Direitos Humanos e Substâncias Tóxicas, Baskut Tuncak,  a ONU criticou a demora inaceitável de três semanas para a divulgação de informações verdadeiras sobre os riscos gerados pelos bilhões de litros de lama vazados no Rio Doce, com o rompimento da barragem de fundão em Mariana, no último dia 5 de novembro.

Diz a nota que : “As providências tomadas pelo governo brasileiro, a Vale e a BHP para prevenir danos foram claramente insuficientes.  As empresas e o governo deveriam estar fazendo tudo que podem para prevenir já e agora mais problemas, o que inclui a exposição a metais pesados e substâncias tóxicas. Este não é o momento para discurso e posturas defensivas”, disseram as autoridades da ONU e seus especialistas no comunicado.

Dilma Rousseff , em entrevistas, tem negado negligência no caso. A Samarco, por sua vez, tem afirmado que suas operações eram regulares, licenciadas e monitoradas dentro dos melhores padrões de monitoramento de barragens. Pode-se até ver que os melhores padrões eram os piores.

A ONU  mostra  especificamente a contradição nas informações divulgadas sobre o desastre, em especial a insistência da Samarco, joint venture formada por Vale e BHP para explorar minérios na região, de que a lama não continha substâncias tóxicas. E descreve com detalhes o desastre ecológico provocado pelo vazamento, incluindo a chegada da lama ao mar.

“As autoridades brasileiras precisam rediscutir muito a legislação para a atividade mineradora e sua consistência  com os padrões internacionais, incluindo o direito à informação. O Estado tem a obrigação de gerar, atualizar e disseminar informações sobre o impacto ambiental e presença de substâncias nocivas, ao passo que empresas têm a responsabilidade de respeitar os direitos humanos”, afirmou Tuncak.Faltou completar, como não o fez e não assumiu.

Os  especialistas da ONU classificaram a tragédia como mais um exemplo de negligência de empresas em proteger os direitos humanos e traçam um quadro desolador pós-desastre para as comunidades afetadas.

“Poderemos jamais ter um remédio eficaz para as vítimas, cujos parentes ou ganha-pão podem estar debaixo dessa onda de lixo tóxico, e nem para o meio ambiente, que sofreu danos irreparáveis. Empresas trabalhando com atividades envolvendo o uso de material de risco precisam ter mais que  a simples prevenção de acidentes no centro de seu modelo de negócios.A meta deve ser a impossibilidade “


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