Mariana: os danos colaterais

A lama que causou o desastre de Mariana, agora se transmuta em poeira e traz problemas respiratórios à saúde da população

O que foi um “mar” de lama da barragem de Fundão que invadiu Barra Longa, na região Central de Minas, agora esta lentamente se transformando em poeira e pode estar influenciando no aumento exponencial de casos alérgicos e de insuficiência respiratória, além de diarreia e outros efeitos, em moradores da cidade.

A consequencia do fim do periodo de chuvas, era quase certa“. Na falta de chuva a lama começou a secar e a poeira, gerada pelo vento ou pela movimentação humana, começou a se espalhar. O maior problema está relacionado às crises alérgicas em que já registraram-se mais de 300 atendimentos neste ano, um acréscimo de mais de 100% que no ano passado”, disse a coordenadora municipal de saúde .

Toda a população está sendo orientada a redobrar a higiene das mãos, a utilizar panos molhados e bacias de água nas casas para amenizar o problema. “São medidas paliativas. Infelizmente, temos que nos adaptar a um meio muito difícil no qual estamos vivendo”, acrescentou.

Mesmo com os indícios de mudança na qualidade do ar a Samarco, que instalou equipamentos que fazem essa análise, diz não haver nenhuma alteração na qualidade do ar. E em nota disse que tem lavado as ruas de Barra Longa diariamente para minimizar a poeira.Alem disto, contratou oito médicos e enfermeiros para auxiliar o atendimento à saúde.

O Ibama passará a fiscalizar o programa de qualidade do ar elaborado pela Samarco a partir do segundo semestre deste ano.

Já não bastasse todo o prejuízo causado à população local pelo desastre, agora enfrentam os “efeitos colaterais” dessa tragédia sem precedentes.

Nota da empresa SAMARCO :

A Samarco informa que já iniciou as medidas de controle da qualidade do ar, em Barra Longa.  A empresa reitera que o rejeito não traz riscos à saúde, sendo classificado como inerte e não perigoso pela norma brasileira NBR 10.004.

Foi instalada uma estação de monitoramento automática na cidade, que analisa a presença de particulado no ar e também aspectos meteorológicos, como velocidade e direção dos ventos. O equipamento é automático e funciona 24 horas por dia. A cada hora, é emitido um relatório com a quantidade média de material encontrado durante o período. Até o momento, todas as análises realizadas mostram que a presença de material particulado está dentro dos parâmetros estabelecidos pela legislação ambiental Conama 03/1990.

Outra ação que também contribui para a redução do risco de propagação do particulado é a revegetação das margens dos rios Carmo e Gualaxo. A vegetação evita que o vento atue sobre o material depositado. Até o momento, o plantio de gramíneas e leguminosas já foi realizado em mais de 730 hectares, dos 800 previstos. Nos locais onde há obras e limpeza na cidade de Barra Longa e no distrito de Gesteira, o controle é reforçado com a umectação das vias com caminhão pipa.

A Samarco lembra, ainda, que fechou parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Barra Longa, para o apoio ao atendimento de saúde em Barra Longa. A empresa contratou oito médicos, dois psicólogos, dois enfermeiros, um técnico de enfermagem e dois auxiliares de serviços gerais.  Os médicos, exceto psiquiatra, atuam em plantão 24 hora por dia, incluindo finais de semana. Também foram adquiridos itens indispensáveis para o atendimento de saúde, como medicamentos, materiais hospitalares, de higienização e limpeza. Além disso, a empresa disponibilizou ambulância equipada e tripulada por um condutor e um enfermeiro socorrista para o transporte de pacientes.


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