‘Made in’ prisão: hortaliças certificadas como orgânicas

Presídios produtores de alimentos orgânicos com certificação em Minas

É indiscutível ser este o melhor dos caminhos para a tentativa de resocialização dos condenados.A experiencia APAC mostra que o trabalho é vital para que se reduza a taxa de  reincidência no mundo do crime depois de cumprida a pena.

O Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), em parceria com a Secretaria de Estado de Defesa Social vão apoiar a produção de alimentos orgânicos com certificação em 12 presídios de Minas Gerais. Atualmente, há produção agrícola, principalmente de hortaliças e legumes, em cerca de 100 estabelecimentos prisionais do Estado.

Técnicos do IMA realizaram cursos e agora as hortas vão entrar na fase de implementação. A expectativa é que a certificação de produção orgânica possa chegar nos próximos meses. Alguns já adotam de forma incipiente, técnicas de agricultura orgânica, inclusive de produção de adubo por meio de compostagem, mas não cumprem todas as exigências legais pra a certificação.

O coordenador do Núcleo de Produção da Superintendência de Atendimento ao Preso (Sape) da Seds, Gleison Anastácio diz que “a implantação da produção orgânica, além de ser um cuidado com o meio ambiente e com a saúde das pessoas que consomem os produtos, será mais uma oportunidade de qualificação para os presos. Vão aprender a produzir algo de muito mais qualidade, podendo usar esse conhecimento futuramente, em casa, para alimentar a família e, também como uma fonte de renda”.

As primeiras unidades a enquadrar suas hortas às regras do sistema de produção orgânico são o Presídio Antônio Dutra Ladeira, em Ribeirão das Neves, e a Penitenciária Francisco Floriano de Paula, em Governador Valadares.

Da horta da Dutra, por exemplo, onde trabalham 15 presos, saem cerca de 800 kg de alimentos por mês para o banco de alimentos da Prefeitura Municipal de Ribeirão das Neves. Essa produção, que inclui couve, mostarda, alface, acelga, cebolinha, salsinha, rúcula, almeirão, abobrinha, quiabo, jiló, beterrabas e cenouras é repassada para creches, hospitais e escolas públicas.

A fiscal agropecuária da Gerência de Certificação do IMA, Ana Paula Moreira diz que a implantação desse trabalho é de extrema importância para o presidiário, pois lhe garantirá uma ocupação enquanto estiver cumprindo sua pena. E essa é uma forma de reparar o dano que causou à sociedade.

“Além de todos os benefícios da produção orgânica como respeito às questões ambientais, trabalhistas e sociais, ainda há um precioso ganho que é a reabilitação dos presidiários que irão trabalhar na produção orgânica, uma vez que as atividades laborativas, neste caso, são uma importante terapia de ressocialização”, afirma.

Legislação

A lei federal 10.831 de 2003 definiu o sistema orgânico de produção agropecuária como o que adota técnicas específicas, mediante a otimização do uso dos recursos naturais e socioeconômicos disponíveis e o respeito à integridade cultural das comunidades rurais, tendo por objetivo a sustentabilidade econômica e ecológica, a maximização dos benefícios sociais, a minimização da dependência de energia não-renovável, empregando, sempre que possível, métodos culturais, biológicos e mecânicos, em contraposição ao uso de materiais sintéticos, a eliminação do uso de organismos geneticamente modificados e radiações ionizantes, em qualquer fase do processo de produção, processamento, armazenamento, distribuição e comercialização, e a proteção do meio ambiente

 


Nenhum banner cadastrado ainda

WP-Backgrounds Lite by InoPlugs Web Design and Juwelier Schönmann 1010 Wien