GastrôMania – Uma noite portuguesa, com certeza, no ‘ le bistrô ‘

Uma luz no fim do Túnel, dando ares de civilidade para a Gastronomia de Nova Lima

 

O posicionamento físico do Bistro Giovani, embora certamente não tenha sido planejado, trás embutido em si uma revolta.Ele, retira  para fora do miolo da velha área urbana da cidade- Bicame e casarões da Minas -, a posição de centralizadores,  tomando novas direções, como a que a  nova Gastronomia esta tomando: em direção aos condomínios.

Sem tirar o ‘ it ‘ dos velhos e sinuosos caminhos das ruas limenses, ele esta no bairro Retiro –(entrada de NL). Se analisado sob a ótica de  novo‘Point”o  Bistro do Chef Giovanni, agora já dotado de algumas reformas, esta indo num bom caminho.Ambiente simples e de bom gosto.Coisa apropriada a boa mesa.Não se comem paredes.

Decididamente, esta nova casa cabe bem no catalogo da boa mesa de Nova Lima, dando ares de  civilidade gastronômica, à hoje, velha e escondida tradição de boa comida que tinha a cidade. Uma verdadeira luz no fim do túnel da atual falta de inovação dos velhos  bons ‘ restauranters ‘, raça quase em extinção.

A criatividade do Chef Giovanni, une gastronomia e marketing, além de refletida nos pratos assinados por ele.Ela está presente nas boas ideias da promoção “Noite Tipica”, onde o Chef revive pratos consagrados da cozinha europeia. No noite que estive lá como cliente, foi a vez da da “”terrinha””: Era a noite da grande cozinha Portuguesa.

O Buffet, tinha como necessários antepastos,  pães e de queijos frios de boa qualidade. Claro que o pão de cebola foi um destaque a parte e me lembrou o do ‘Brocollino ’ em Buenos Aires, na velha região da baixa boemia portenha. Mas teve vez e lugar. O Gorgonzola estava muito novo e sua massa ainda em maturação, embora fosse pródigo em fungos verdes e intenso em paladar. Havia também, em complementação , bons exemplares de sopas , um caldo verde e outros acepipes;

A mesa contava ainda como prato principal, com aquilo que não pode faltar em uma refeição portuguesa tipica: bacalhoadas bem trabalhadas. Sendo que a “piece du sustentation”, era lombo de bacalhau do porto,  parrudo, bem coberto com as tradicionais azeitonas e seus outros pertences,  sem o ‘miserê’ que detestamos aqui no Brasil. Em bem vinda contrapartida a  esta nossa herança dos avos portugueses, a fartura.

Deste mal minimalista de grão de ervilha no prato fundo, já fui vitima em muitos bistrôs de alto renome. Onde a fartura estava mais para ‘ faltura” , coisa digna de suficiência para acompanhar 1 azeitona.

Voltando ao fio da meada, quase esqueço que aliado ao prato principal tínhamos um bom arroz de Braga.

Dois únicos quesitos que deixaram a desejar: um ( talvez falta de sorte minha), foi uma garrafa de ‘algo esverdeado’ que estava mais para óleo 30, mas que resolveram batizar de azeite. Um pecado. Tive que declinar para não magoar a boa cozinha do Chef Giovanni.Ele certamente choraria se provasse. O outro item , o serviço, que nem era total, visto que o buffet era self -service,  destoava das pretensões e do esforço da casa, para um alto nível. A ponto de derramarem vinho no prato.Eu não gostei – o prato era o meu- e a nossa sommelier horrorizou-se.Eu a levei a tiracolo, para não falhar na avaliação das bebidas.

Ela observou  que a curta carta de vinhos, tinha as poucas opções de quem ainda não teve tempo de montar uma boa e eclética adega.Ela  oferecia mais vinhos argentinos e chilenos, novos e comuns. Um português -rosé- , um alemão – branco – e um italiano-tinto. Um pecado ter faltado uns bons e simples Alentejanos, a água do Porto Galo. Mas não se pode negar,  todos os vinhos a preço honesto. Como também o era o ‘per capita’ do Buffet. O sorriso das mesas cheias, confirmava  a satisfação geral do publico presente .

Destaque da noite. Ser recebido por uma sorridente e gentil ‘ Hosteness’, Viviane.Não tínhamos reservas – esquecimento e falta de planejamento nosso, somado ao  descostume Limense – .Nos atendeu solicita e sorridente e encaminhou-nos  a um abençoado cancelamento.Levou-nos até a mesa e nos acomodou bem.

O outro destaque foi que o partner do Chef Giovanni, também é pianista e cantor. Nos brindou com alguns clássicos  americanos e populares. Mas nenhuma canção portuguesa.Coisa que fecharia a noite com chave de ouro. Enfim , musica agradável de piano bem tocado é sempre “MUITO” melhor que ‘ breganejo provinciano de DVD pirata,  ou pior, ao vivo e a cores. Muitos , empurrados goela abaixo do cliente, com imagem de TV  e som de caixote arranhando ouvido.Coisa horrível que  antes era exclusividade só de bares de jovens incultos, agora  foi transformado em  costume tribal de muitos restaurantes de Nova Lima.E como se fosse o gato da comida ruim , que ao invés de descer de unhas abertas pela garganta, resolve descer pelo ouvido.Ninguém civilizado merece.Exceto o dono de restaurante que recebe em troca a continuada e crescente queda do numero de clientes.E alguns ainda se perguntam porque.

Valeu a visita. A coluna deseja felicidades e progressos. Chef  Giovanni, além de gentil e um profissional da gastronomia. Voltaremos em breve.Recomendamos!


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