GastrôMania – In Vino Veritas : os gigantes nacionais

Os brasileiros na primeira linha dos vinhos.

Seja por lenda, seja por desconhecimento ou falta de publicidade, potenciais consumidores de vinho, tem a firme convicção de que vinhos brasileiros são o fim da linha. Um “pré-conceito” formado nas fantasiosas, lânguidas e bêbadas noites de juventude. Acredito que, para aqueles que desconhecem o universo do vinho, ou para consumidores ocasionais, a opinião sobre o vinho brasileiro, ainda seja embasada nesses “pré-conceitos”, herança de imagens de uma época em que, tinha-se como opção de bebida barata e farta, os garrafões de Sangue de Boi, Chapinha e congêneres.

A pouca divulgação dos vinhos nacionais, somada a derrama dos vinhos chilenos e argentinos de qualidade duvidosa e a preços convidativos nas prateleiras de supermercados, sempre contaram com a preferência do consumidor. Para os mais exigentes e abonados financeiramente, os bons vinhos sul-americanos e de outras regiões do mundo, ancorados num marketing bem feito e os vinhos europeus fortalecidos por uma tradição já conhecida, contribuem para solidificar o conceito negativo atribuído aos vinhos brasileiros. Mais do que tudo isto, no entanto, o alto preço dos nacionais de primeira linha, motivados em muito pela nossa taxação de impostos em inacreditáveis 83%, fez com que levássemos a casa grande dos bons vinhos brasileiros para a senzala da qualidade atribuída.

Eu tive a sorte ou o prazer, de ser criada numa família para quem o vinho era considerado um alimento e não apenas uma bebida alcóolica. De origem espanhola, meu avô, garantia nos almoços de domingo, a presença de um bom vinho português, oferecido ás crianças da família com um pouco de água e nenhum açúcar.

Quando da mudança do interior de Minas para Belo Horizonte, as vacas magras rondaram a adega da família, tornando raro o rotineiro prazer desse ter um bom vinho à mesa, mas nenhuma concessão foi feita aos vinhos suaves. Um tio nascido em Portugal e que, na época vivia conosco, foi quem sugeriu a troca do vinho europeu pelo Garibaldi, produzido no sul do país. Foi então, nesse período que eu fui introduzida no universo do vinho seco brasileiro. Não me lembro se o paladar desses vinhos era bom ou ruim mas eles tiveram o mérito de me manter afastada dos vinhos suaves que garantiam as ressacas homéricas a amigas e amigos da juventude.

Na época da universidade, a busca de sensações mais intensas fez com que eu trocasse o bom e velho vinho pela vodka e pela merecida e necessária amnésia que ela causava como efeito colateral. Somente na idade adulta, depois do nascimento dos filhos, eu redescobri o vinho nas garrafas azuis dos Liebfraumilch, adocicados e enjoativos. Os vinhos brasileiros continuavam esquecidos e relegados às memorias familiares ou apreciados em festas e comemorações nas taças de espumantes que já mostravam o potencial de qualidade. Nos últimos tempos, levada por um interesse cada vez maior pelos bons vinhos e consequentemente, pelos cada vez melhores vinhos brasileiros.


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