GastrôMania – Hortaliças de ontem na gastronomia de hoje

Projeto da Emater tenta resgatar cultivo de hortaliças em Minas

Introduzindo  desde há muito costumes ou comidas de cardápios estrangeiros, desde o Brasil colonia, é inegável as mudanças que a globalização e sistemas econômicos hegemônicos de hoje e de ontem, trouxeram para a nossa sociedade de modo geral.Nem todos maus, mas a maioria lesivos aos costumes e as potencialidades naturais locais.Mas heroicamente, algumas pessoas guardam lembranças e costumes que estão salvando uma dos nossos maiores patrimonios alimenticios e gastronomicos : as hortaliças e  vegetais nativos e muito usados antigamente, na cozinha de casas, fazendas: de nossos avós e bisavós.

Em analise generica, pode-se notar um exemplo disso, em um dado que é facilmente encontrado  na capital de Minas Gerais, Belô. Normalmente quando perguntadas as pessoas na rua,  de onde são, os hoje belorizontinos, normalmente com mais de 30 anos, dizem que nasceram ali mesmo.Mas suas raízes, de boa parte deles, são de famílias do interior mineiro. Além disto a maioria deles, teve ou tem contato com uma fazenda ou com um sítio,seja próprio ou de amigos ou parentes, para visitar nas férias ou aos fins de semana, cuidar das galinhas, plantas, hortas , ou  ensinar crianças a subir em árvores.E os agradáveis etcs inerentes, claro.

Porém, a expansão da indústria dos alimentos nos últimos 30 anos vem mudando os hábitos com relação à comida dos brasileiros. Hortaliças que ontem eram comuns e tradicionais foram perdendo espaço à medida que os produtores eram convencidos a cultivar monoculturalmente  o que as grandes corporações queriam  vender e que diziam que os clientes queriam comprar.Expandiu-se assim a cultura do fácil e internacionalmente famoso e estrangeiro, seja por serem maioria nas sementes selecionadas, seja pela disponibilidade nos mercados e hortifrutis.A maioria já hibridas ( suas sementes não reproduzem), sem capacidade de se desenvolverem por aqui ou adquirirem características locais.

 

Tome como exemplo a taioba-Xanthosoma sagittifolium (L.Schott,- originária da America Central e espalhada por toda a área tropical do Brasil, cuja folha tem mais vitamina A do que a cenoura, o brócolis ou o espinafre.E extremamente recomendada na dieta de quem sofre de hemorroidas. Antes figura certa em receitas de vários Territórios Gastronômicos, desde a area central ao Sul, ao  Espinhaço e até do Cerrado, ela tornou-se rara nos sacolões ou hortifrutis.

 

 

Além dela, podemos citar as azedinhas, deliciosas e sui generis em saladas, cujas bananinhas faziam a alegria das crianças e  dão paladar inigualável em saladas de folhas, além de fazerem uma linda decoração dos pratos de saladas gastronômicas.

 

 

 

 

 

 

 

 

Outra preciosidade é a vinagreira, que é uma famosa hortaliça, componente indispensável por exemplo no famoso Arroz de Cuxá.

 

 

 

Não poderíamos esquecer de citar os primos, o inhame, – parente do cará ,(  Explicação da diferença visual na foto – O inhame (Dioscorea spp.) pertence à família Dioscoreácea.A Familia tem nove gêneros e cerca de 850 espécies sendo o cará uma delas. O cará é grande e sem pelo.O inhame é redondo e peludosão.São primos e muito usados em sopas e como suporte a caldas e doces tipo melado.Suas sopas, batidas ou acompanhando carnes, são de paladar extraordinário.

 

 Entre muitas  destas preciosidades, não se pode deixar de citar a deliciosa Maria Gondó, comum na região de Nova Lima e região central de Minas Gerais,- Seu nome cientifico é capiçova (Erechtites valerianifolius) é uma espécie botânica pertencente à família Asteraceae.

 

 

 

 

 A serralha ou dente de leão, tem folhas e flores comestíveis.Pode ser servida em saladas, refogada com bacon na mesmo estilo da escarola.Alem disto pode servir de recheio para pães, pasteis, tortas ou mesmo com macarrões.O tempo e tipo de cozimento(  branqueamento, afogamento, fritura) , fazem variar o amargor característico e deixa-la mais acida ou adocicada. Tem sabor marcante amargo e é uma hortaliça deliciosa como acompanhamento de carnes e feijões.

 

 

 

A serralha tem o nome cientifico de Sonchus oleraceus.E´Planta herbácea, ereta, pouco ramificada de ciclo curto.Apresenta caule oco, chegando até a altura de 1 metro e pouco quando madura e na epoca da floração.Folhas com lóbulos dentados, serrilhadas, pecíolo semiamplexicaule, e as folhas chegam a ter 20cm de comprimento.Sua prima Sonchus asper, tem folhas lustrosas, recobertas de espinhos.As folhas jovens, superiores,são mais finas e levemente recortadas.Sua flor AMARELA esta na ponta das ramas e são do tipo capitulo.Suas sementes são escuras com papus brancos.Veja ilustração dos tipos mais comuns abaixo.

 

 

O maxixe,  –Cucumis anguriaconhecido popularmente como maxixe, é uma planta rasteira ou trepadeira anual, delicioso em saladas  e muitos outros que, talvez, o leitor nunca tenha nem ouvido falar.

 

 

Mas se depender de um projeto que promete muito e dos extensionistas da Emater, a tradição voltará à mesa dos mineiros. Desde 2008, a instituição implanta bancos das chamadas hortaliças não convencionais em diversas regiões do estado, em um projeto com parceria da Embrapa Hortaliças, a Epamig e o Ministério da Agricultura.

Temos 13 bancos multiplicadores em funcionamento. São hortas comunitárias de onde os produtores podem pegar mudas, sementes e a própria hortaliça. Atuamos em duas linhas: incentivar a maior ingestão das hortaliças e promover o resgate das tradições. Tem gente que acha que ora-pro-nóbis é mato. Isso tem que acabar”,  conta Georgeton Silveira, coordenador do projeto.

 A Ora-pro-nóbis (Pereskia aculeata) um cacto nativo da America é rica em proteínas, ferro, potássio, fósforo, além das vitaminas A, B e C. Dizia-se antigamente que era a carne dos pobres. Faz bem para a visão, combate o estresse, melhora o funcionamento do intestino e ainda regula a pressão arterial, de acordo com especialistas.Gastronomicamente falando, adiciona sabores e paladares únicos a carnes como frangos e carnes de porco ensopadas.

A ideia é conseguir refazer a conscientização da população, mostrando  além dos aspectos gastronômicos, que se a pessoa ingere uma grande variedade de hortaliças, seu corpo fica mais saudável e protegido contra doenças. Como a vinagreira, que tem antocianina, uma substância antioxidante capaz de retardar o envelhecimento e prevenir diversos tipos de câncer. Já a beldroega, boa para sopas e saladas, é rica em ômega 3, que regula o colesterol.

Atualmente o projeto conta com 34 espécies de hortaliças não convencionais, porém, a lista não está fechada. Os moradores locais das regiões que foram contempladas com os bancos levam novas espécies para serem incorporadas.

A melhor notícia é que acada sendo mais fácil cultivar hortaliças não convencionais do que as outras. Por serem plantas rústicas, não sofrem ataques de pragas, só precisam de terra boa, sol e água.


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