De volta ao futuro de 2017: pra onde José?

EDITORIAL –

Caros leitores:

Entre vários motivos, sofremos uma paralisação parcial e momentânea das atividades do jornal. Explica-se por varias conjunturas e conjuminâncias .Somatório de impossibilidades momentâneas físicas, tecnologicas, psicológicas e outras mais, tudo junto.

E não é só o nosso querido BRASIL que esta meio perdido e ainda sem rumo firme. “Nois também!”.Mas cremos firmemente que isto é uma situação passageira.Ou não?

Nesta nossa maravilhosa vida – que ate prova em contrário, melhor não há – , precisamos de não mais que um segundo para ir do paraíso ao inferno ou do verso ao inverso. Independentemente da metáfora que se use, tudo muda e passa. Confesso isto com tristeza embora com certeza, pois é válido para todos nos, que somos ínfimos grãos de areia com egos do tamanho do universo visível.Ou maior.

As mudanças por que passam o ‘TUDO’ que nos cerca , no relativo e oriundo da sociedade humana, desde os nossos tradicionais costumes às revolucionarias tecnologias do dia a dia, são avassaladoras. E não poupam o trabalho e as profissões, desde as formas de aprender ou fazer tudo, até os formatos de comunicação e jornalismo de minha ex-rotina de editor geral. Tudo, inovações ou simbioses, esta acontecendo num ritmo tão veloz, que para dizer-se pouco, são mais rápidas do que podemos nos aperceber no tempo real. E quando tomamos consciência delas no depois, no futuro, o passado em que aconteceram já se vai ao longe. E tarde demais para reparos e mudanças.

Para centrar-me no umbigo, falarei rapidamente apenas dos processos que interferem na comunicação e deste nosso jornal, que neste momento, esta de frente para a encruzilhada do caminho.

Em 2000 quando iniciamos a caminhada, as pesquisas mostravam que o formato tabloide americano seria o dominante, em detrimento do jornal tradicional.Era um reflexo das mudanças fisicas e da tendencia de miniaturização que hoje esta no telefone celular.

Adotamos o modelo tabloide juntamente com outros  periódicos de ponta do Brasil. E nos antecipando a uma realidade que se descortinava, passamos a distribuir gratuitamente o jornal , financiados diretamente apenas pela publicidade.

Mas muito além  disto,  na época, já a grande maioria do publico não mais comprava  jornal em bancas e nem  queria renovavar assinaturas. O que não sabíamos é que naqueles idos de inicio de século, entre muitas outras, a curva da publicidade estava sofrendo mudanças profundas, concentrando-se nos novos modelos globais informatizados e de baixo custo do Google. Víamos acontecer.Mas à epoca não tivemos  capacidade para sentir e intuir o que ela nos fazia no ali ou no a frente.

E foi assim que em 2009,  assistimos o inicio da falência do modelo tabloide de distribuição gratuita, pois somado ao fenômeno Google, outros dois fatores básicos apareceram na estratosfera: os custos de impressão e da logística de distribuição. E antes que fossemos mais um defunto jornalistico, nos livramos deles e pulamos de quatro no mundo virtual da internet e no conceito de jornal de site, como o nosso novo porto.Nele navegamos até hoje, miscigenando modelos conexos de email e postagem de Facebook.

Para chegar ao nosso publico, ao invés de banca e entrega, passamos a enviar o jornal por email. Não deu muito certo, visto o tamanho dos arquivos. Passou-se então ao News Letter, um email apenas com os artigos mais importantes. E mesmo assim era caro e pesado. As curvas de despesas de pessoal estavam pressionando um jornal com cada vez menos receitas. Mesmo com a demissão de quase todo o quadro e adoção do modelo de comprar conteúdo de terceiros. E nem assim a coisa frutificava.

O publico reclamava que estava sendo obrigado a receber o que não tinha pedido. E como clientes leitores, mesmo não sendo pagantes, eles se achavam no direito de escolher o que ler e que so deviam receber por email, mas só se pedissem. O novo modelo foi feito de acordo com o que queriam. Numa nova tentativa que foi medianamente bem sucedida,  passamos a mandar apenas os links mais interessantes – manchetes -.

Finalmente, a partir de 2012, entrou em cena o FACEBOOK, o novo canibal da publicidade, que analisa com algoritmos o que falam seus inscritos, para ofertar-lhes diretamente o que comentam ou que procuram e desejam. Embora todos os jornais tenham tentado participar do FACE e usa-lo como canal para tentar atrair o publico, ate´agora não deu muito certo. Além da canibalização de publicidade entre FACE e GOOGLE, um novo problema apareceu gritante e determinante: a leitura.

Fruto de uma deseducação lenta e gradual levada a efeito no pais e no mundo, nas nossas escolas os alunos leem cada vez menos. E escrevem muito mais nada. E pior que com esta pouca pratica, não conseguem ler e interpretar os bons conteúdos e nem tem paciência para ler algo mais de que meia dúzia de palavras associadas a uma imagem – TWITES e similares com 150 palavras – no máximo.

Assim sendo, o reinado das imagens e filmes passou a dominar a leitura e analise convencional e a substituí-la como forma dominante de comunicação. Somando-se tudo isto, temos que a  grande maioria do publico hoje, consegue ver uma imagem e ler comentários mínimos como nas redes sociais. Com uma maioria de população jovem e sem formação adequada, passamos a ter como modelo isto que vemos hoje nos grupos do face: Posts comentados. Gostei, adorei, Benza Deus, nossaaa… Lindo, horrivel e outros qualificativos e adjetivos de quem , mal sabe ler, escrever e não tem conteúdo nem conhecimento para gerar o que falar mesmo que para seja quem não tem mais capacidade de aprender, ler e interpretar.O pensar quase acabou.

Assim sendo fica a pergunta  Drumondiana, ainda sem resposta, pelo menos para nos aqui no jornal. E agora José?? Para onde?

Bem , é esta a resposta que estamos tentando achar. Por isto não estranhe se você se defrontar aqui e daqui pra frente, com modos ou formas desconhecidas e ate as antes consideradas esdrúxula – esquisita ou extravagante-. Somos nos e eu, utilizando o inalienável direito do JUS ESPERNEANDI da sobrevivência. Portanto caro leitor, se continuar a nos ver aqui, mesmo que só vez  por outra, pode concluir: estamos tentando sobreviver e nos recusando a morrer!E talvez, conseguindo! Nunca sem tentar.

Abraços aos leitores e que o 2017 de vocês seja melhor que o nosso se afigura, mas vamos a luta!

 

RacAvila


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