Córregos de BH: antes tarde do que nunca

Aprovado projeto de lei que proíbe canalização de córregos em BH.

Nesta quinta-feira (18), a Câmara Municipal aprovou, em segundo turno, o Projeto de Lei que proíbe a canalização de rios, córregos e ribeirões em qualquer área de Belo Horizonte. A PL obteve apoio dos37 parla mentares que estavam no plenário. Agora, o projeto vai para a sanção do prefeito Marcio Lacerda.

“O projeto foi baseado em situações que estão ocorrendo em várias cidades do mundo, principalmente na Europa. A canalização não resolve o problema das chuvas, por exemplo. Pelo contrário, só prejudica com enchentes e alagamentos. Também alteram o microclima região”, explicou o vereador Arnaldo Godoy (PT), autor do texto, pensado para melhoria no âmbito social e ambiental de BH.

O problema da canalização não é recente, de acordo com Alessandro Borsagli, graduado em Geografia, pesquisador nas áreas relacionadas ao espaço urbano e autor do livro “Rios Invisíveis da Metrópole Mineira”.

“A canalização já é um problema histórico desde a construção da capital. Os córregos foram ignorados e sempre deixados para as administrações futuras. Na década de 20, a canalização foi feita para controlar e reduzir enchentes. Porém, o que se viu foi totalmente o contrário. Com a canalização, a água não infiltra no solo e fica retida na superfície. As consequências são as inundações”, explicou Borsagli.

Partidário do PL, o pesquisador acredita que o texto pode beneficiar muito Belo Horizonte, além de mudar a opinião das pessoas com relações aos córregos.

“Todo mundo ganha. Com a proibição, os cursos d’água voltam a ser inseridos, melhora a cidade e a qualidade de vida da população. Atualmente, as pessoas têm uma imagem negativa dos córregos, já que, na maioria das vezes, eles são lembrados quando transbordam, causando prejuízos”, disse.

Ambientalistas do projeto Manoelzão, ressaltam que o há muito tempo sua iniciativa espera pela proibição da atividade. “A aprovação na Câmara é altamente positiva. A revitalização dos córregos faz parte da nova mentalidade mundial. É o começo da mudança e tenho certeza que, se virar lei, vai beneficiar os ribeirões Arrudas e Onça. Aliás, as nascentes do Arrudas têm água limpa”.

 

Atualmente, a capital mineira conta com 700 km de córregos, sendo que 200 são canalizados, trazendo problemas com inundação e a relação com esgotos, que, segundo texto de Godoy, fica de responsabilidade da prefeitura.

 

“O Executivo também terá que limpar as margens, fazer o tratamento do esgoto para que este não seja mais lançado nos córregos. A proibição é também uma política de prevenção de alagamentos, acabamos de ver em BH uma morte de uma senhora por conta disso, o que é inadmissível”, disse o vereador, lembrando de Maria Ester Ribeiro, de 59 anos, que acabou morrendo após ser levada por uma por uma enxurrada e ficar presa sob um carro, na região Oeste da capital, durante a noite da última sexta-feira (12).

 

Campanhas educativas podem conscientizar as pessoas. “É muito importante que as pessoas entendam que jogar lixo nos córregos é prejudicial para todo mundo. O projeto para colocar em prática precisa ser bem elaborado e possibilitar que os cursos d’água tenham vasão suficiente para correr por toda cidade”, conclui Borsagli.


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