Carta aberta a todas as mulheres do mundo

Queridas mulheres, da minha vida:

É tempo de revelar um segredo conhecido de poucos.

Nós, homens, viemos de outro mundo. Há milênios fomos criados por Prometeu em nosso planeta de origem, a uma distância de alguns anos-luz daqui. Ele nos dotou de uma inteligência tosca e nos enviou pelo espaço sideral para entreter os deuses com nossas aventuras. Então, guerreávamos de pouso em pouso, espalhávamos pânico e morte por onde passávamos. Por vezes, perdíamos batalhas terríveis, mas isso pouco importava porque Prometeu seguia produzindo mais e mais exemplares, nossos semelhantes. Os deuses apostavam, interferiam, mudavam o curso das nossas lutas para torná-las mais divertidas enfim. Obedecíamos cegamente porque não tínhamos consciência das forças que nos guiavam, agíamos como galos de briga e, por isso mesmo, até hoje adoramos assistir e promover lutas. Quando somos platéia, sentimo-nos como no lugar dos deuses antigamente enquanto nos observavam.

Depois de longo tempo e de muitas e muitas viagens pela galáxia afora, viemos cair na terra, trazendo fome de sangue e destruição. Todavia, aqui era domínio de Vênus e Minerva e as deusas se uniram em complô feminino. Aqui elas geriam e cuidavam das mulheres, dotando-as de sabedoria, de conhecimento íntimo das forças da natureza. As mais adiantadas tornavam-se feiticeiras.

Quando nossos ancestrais desceram na terra, foram surpreendidos por acontecimentos que nunca haviam antes experimentado. Todas as vezes que tentavam atacar as aldeias, nuvens densas as cercavam, a noite tomava conta do cenário e os guerreiros tinham de recuar. Pior que isso, as feras se aproximavam e matavam quantos estavam menos guarnecidos.

Não sobraria um homem sequer se, no meio de tantos, Adão, o maior de todos, não tivesse tido a ideia de se desarmar e ir até a aldeia mais próxima para ver quem ali habitava. E foi aí que se deu a maravilha. Eva, feiticeira, saiu na direção de Adão até que os dois se encontraram em uma clareira. Naquele dia o amor entre um homem e uma mulher aconteceu pela primeira vez neste planeta.

Conduzidos por Adão e Eva, homens e mulheres foram se aproximando. Os homens aprenderam a amar, mesmo que de vez em quando, e conseguiram atenuar seu espírito guerreiro. Adão e Eva foram ao Olimpo e pediram licença para, a partir dali, gerarem seus próprios filhos. Houve um conclave entre os deuses, muitas e muitas discussões. Finalmente, eles permitiram que assim acontecesse. No entanto, esse poder de gerar filhos viria com um preço alto a ser pago. Homens e mulheres teriam de procurar seu próprio sustento além de se responsabilizarem por alimentar a prole. Além disso, os deuses se tornariam invisíveis às pessoas. Somente seriam percebidos por aquelas que se tornassem extremamente sábias.

Esta é a história primordial, que foi contada por muitos milênios entre as tribos que se espalharam pela terra. Só que, com o passar do tempo, as memórias foram se modificando, muitos detalhes se perderam e cada povo foi recriando e refazendo a seu modo a gênese da humanidade.

Não sei por que, mas nossa origem me foi passada hoje em sonhos. Tem a ver com o dia das mulheres, tem a ver com um anúncio acerca da necessidade de que nos lembremos de que os deuses ainda nos observam e até esperam por nosso retorno a seu convívio, agora modificados pelas eras passadas neste planetinha maravilhoso.

Saúdo as mulheres pelo seu dia e me gratifico de as ter encontrado; pela sabedoria que, por meio delas, pude descobrir no tempo que aqui me foi dado.

Prof Dr.Eduardo Sarquis Soares

 UFSJ, campus Alto Paraopeba.


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