Alemanha: onde as cias de energia pagam aos consumidores

A Alemanha pagou para que consumidores pudessem usar energia elétrica por sete horas, no início de maio, entre as 9h e as 16h do domingo (08/05/2016). O valor da megawatt-hora ficou negativo, entre – € 130 (cerca de – R$ 517) e € 34 (R$ 135).

Esse fato ocorreu no município de Feldheim, onde existe um parque eólico de grande capacidade energética.

Na Alemanha, o mercado regula o setor de energia com pouca interferência governamental e é baseado na relação oferta e demanda.

DE acordo com o diretor da Agora, Christoph Podewils, organização que pesquisa energia convencional e renovável, as empresas alemãs preferem lidar com o desequilíbrio entre oferta e demanda reduzindo o preço abaixo de zero em vez de diminuir a potência de produção.

O maior problema da produção de energia renovável é o seu armazenamento, por isso que há essa variação no preço, explica Thomas Fröhlich, pesquisador alemão do Brazil Institute na universidade King’s College London.

“Nós não temos capacidade de armazenamento. Se houvesse, poderíamos estocar o excesso e estabilizar os preços”, afirma Fröhlich.

“São quantidades enormes de energia, que, até agora, não podem ser estocadas em baterias”, explica Fröhlich, dizendo que já há empresas trabalhando com soluções nesse sentido.

Para o pesquisador, o Brasil possui condições para produzir energia renovável num patamar similar ao da Alemanha. “Mas não vejo as prioridades no Brasil indo em direção à sustentabilidade”, afirma Fröhlich.

“O alto teor de energias renováveis na matriz energética se parece mais com um acidente de sorte”, afirma o pesquisador.


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